O Papa Francisco realizou na última sexta-feira (21), um dos seus mais fortes argumentos da Igreja católica sobre a crise que varreu a instituição romana até agora. Ele apelou para que os padres acusados de pedofilia se entreguem.

Embora não tenha ficado exatamente claro se Francisco estava se referindo ao sistema judicial da Igreja, à justiça civil ou a ambos, fontes do Vaticano acreditavam que essa era a primeira vez que o papa apelava incisivamente.

“Para aqueles que abusam de menores eu diria: converta-se e entregue-se à justiça humana, e prepare-se para a justiça divina”, disse Francisco em seu tradicional discurso de Natal sacerdotal, a administração central do Vaticano.

O pronunciamento aconteceu a dois meses antes de uma assembleia extraordinária sobre a crise dos abusos sexuais, no qual terá a participação em cerca de 110 chefes de conferências nacionais de bispos católicos e dezenas de especialistas e líderes de ordens religiosas no Vaticano.

O Papa usou anteriormente o discurso de Natal para denunciar casos de corrupção e má administração na Igreja. Desta vez, ele se concentrou na crise global de abuso sexual.

“É fato que, diante dessas abominações, a Igreja não poupará esforços para fazer tudo o que for necessário para levar à justiça quem cometeu tais crimes. A Igreja nunca mais tentará silenciar ou não levar a sério qualquer caso envolvida”, disse ele.

Em pronunciamentos anteriores sobre tolerância Zero, grupos de vítimas zombaram da instituição católica, dizendo que a Igreja tem que criar políticas mais claras para tornar os próprios bispos responsáveis ​​pela manipulação inadequada dos casos de abuso. Os grupos acreditam que seja exatamente isso que irá acontecer na reunião de fevereiro, graças aos grupos de pressão.

Em seu discurso, Papa Francisco reconheceu que a Igreja havia cometido sérios erros no passado, mas prometeu fazer “dos erros a oportunidade para eliminar esse flagelo” tanto da Igreja quanto da sociedade em geral.

O santíssimo pontífice cometeu um erro no início deste ano ao defender com veemência um bispo chileno acusado de encobrir abusos, só tempos depois veio a iniciar uma investigação e aceitar a renúncia do bispo e de outros prelados no Chile.

“É inegável que alguns no passado, por irresponsabilidade, descrença, falta de treinamento, inexperiência ou falta de visão espiritual e humana, trataram muitos casos sem a seriedade e rapidez que deviam. Isso nunca deve acontecer de novo. Esta é a escolha e a decisão de toda a Igreja”, concluiu o Papa.

A Igreja católica tem estado em descrédito por quase duas décadas, desde as publicações da equipe de jornalismo investigativo Spotlight do Jornal norte-americano The Boston Globe, em 2002, trazendo à tona mais de 70 casos de abusos sexuais sobre menores, acobertados por um arcebispo de Boston, que posteriormente descobriu-se ser uma crise ainda maior chegando até o Vaticano.

A repercussão da equipe do The Globe tornou-se inspiração para o filme Spotlight – Segredos Revelados (2015), vencedor do Oscar 2016 como melhor filme e melhor roteiro original.


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*Com informações do portal Cristian Today.

Michael Bolzan
Jornalista

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